Pesquisas buscam alternativas para substituição da gordura trans

10 de março de 2020

O professor Jorge Mancini Filho diz que essa gordura pode ser substituída por óleo de palma e pelo processo de interesterificação.

No final de 2019,  a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade regras que devem banir o uso e consumo de gorduras trans até 2023. É essa gordura que permite o aumento do colesterol ruim, o LDL, causando doenças circulatórias como infarto e AVC, além de problemas nos rins e no fígado. O Jornal da USP no Ar conversou com o professor Jorge Mancini Filho, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

“A indústria está preocupada e em busca de formas para reduzir a gordura trans em alimentos”, afirma o professor. O setor necessita de uma gordura sólida, que hoje é a vegetal hidrogenada, com grande quantidade de ácidos graxos trans, a chamada gordura trans. “Agora, existe a possibilidade de ter uma gordura com característica sólida e que é produzida através de óleo de palma e interesterificação”, explica Filho.

Sendo um processo de modificação de lipídios, a interesterificação permite a eliminação de gorduras trans. Segundo o professor, a indústria, juntamente com associações como a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), tem um canal com as universidades que realizam pesquisas constantes com objetivo da diminuição ou eliminação da gordura trans que garante a estabilidade em alimentos como sorvetes e margarinas. Ele também elogia a Anvisa, que está monitorando essa redução sem causar danos na indústria e dando um prazo de adaptação para a mudança, que já ocorreu em Nova York, por exemplo, com grande êxito.

“A Anvisa determinou a obrigatoriedade de ter na rotulagem de alimentos a quantidade de gorduras trans. É muito importante as pessoas verem os rótulos”, alerta o professor.

Ouça abaixo a entrevista completa.

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FONTE: jornal.usp.br